21,4% dos brasileiros usarão segunda parcela do 13º para presentear ante 30,4% em 2013, diz Associação Comercial

11/12/2014 - 19h16

Pesquisa da Associação Comercial de São Paulo aponta que 9,5% dos consumidores utilizarão o benefício para viajar (contra 4,3% em 2013), 28,6% vão poupar (ante 32,6%) e 21,4% pagarão dívidas (sobre 21,7%). Em Araraquara, o presidente da ACIA, Renato Haddad, os números apresentados já eram previstos.

Menos brasileiros vão usar a segunda parcela do 13º salário para presentear neste fim de ano. Por outro lado, mais gente vai utilizar o benefício para viajar. As informações estão em pesquisa da Associação Comercial de São Paulo feita em todo o Brasil entre os dias 14 e 30 de novembro e enviada à ACIA.

A pesquisa aponta que 21,4% dos consumidores vão comprar presentes – no ano passado, eram 30,4%. “Isso sugere um Natal mais fraco para o varejo em 2014, já acompanhando as expectativas de baixo crescimento da economia e o cenário macroeconômico ao longo do ano, de desaceleração e encarecimento do crédito, alta na taxa de juros e baixa confiança de empresários e consumidores. Em resumo, esse dado negativo de baixa intenção de compras não surpreende porque os fatores macroeconômicos já permitiam fazer essa análise”, explica Rogério Amato, presidente da ACSP e da FACESP.

Segundo a pesquisa, mais do que dobrou a parcela de consumidores que pretendem viajar usando a segunda parcela do 13º salário: neste ano, 9,5% dos entrevistados responderam essa opção, sobre 4,3% em 2013. “Isso pode indicar que o brasileiro resolveu viajar agora porque o dólar pode aumentar ainda mais em 2015 ou porque o consumidor prefere fazer turismo interno, pelo Brasil, porque o dólar já está alto”, diz Amato. 

Poupar

A pesquisa mostra que grande parcela dos entrevistados vai poupar (28,6%), indicando que o consumidor está cauteloso. Porém, a parcela é menor do que em 2013, quando 32,6% disseram que iriam poupar. Isso sugere que o consumidor pode estar com menos dinheiro para guardar, diante da desaceleração da massa salarial.  

Pagar dívidas

21,4% dos entrevistados responderam que vão usar o benefício para pagar dívidas, cenário estável ante 2013, quando eram 21,7%. Isso mostra que permanece forte a intenção de quitar as dívidas, garantindo também controle da inadimplência. 

Indecisos

16,7% dos consumidores não sabem o que farão com a segunda parcela do 13º salário, contra 15,2% em 2013. “Portanto, é grande a parcela de indecisos – eles ainda podem ir às compras. Isso dá espaço para as áreas de marketing do varejo estimularem o consumidor por meio de campanhas e ofertas, principalmente de novidades tecnológicas. Esses indecisos podem ser os chamados ´consumidores de última hora´, podendo ir às lojas depois que receberem o benefício”, afirma o presidente da ACSP.

Reforma da casa

Com os preços dos imóveis em alta, aumentou a parcela de consumidores que preferem reformar a casa: neste ano são 2,4%, sendo que em 2013 não se atingiu 1%.

13º salário: R$ 158 bi na economia

Para se ter uma ideia da importância do 13º salário para a economia e para o varejo, o pagamento das duas parcelas do benefício vai injetar R$ 158 bilhões na economia, segundo o Dieese. O valor equivale a cerca de 3% do PIB.

O Dieese também estima que 84,7 milhões de brasileiros contarão com o dinheiro extra e que cada consumidor receberá, em média, R$ 1,774 mil.  

Sobre a pesquisa

O presidente da ACIA, Renato Haddad, ao avaliar ontem com seus companheiros de diretoria os resultados da pesquisa, argumentou que o quadro da economia brasileira já apontava para isso. “Estamos vivendo um momento muito difícil; a manifestação sobre a queda das vendas no comércio é bem clara; não há previsão de aumento de compras por parte do consumidor em relação ao ano passado e o segundo semestre continuará sendo de incertezas”, comentou o dirigente.

Para Renato Haddad, as festas de final de ano por si só melhoram as vendas, mas 2014 está sendo marcado por uma reação tímida, pois janeiro é um mês de despesas que forçosamente ocorrem com impostos, matrículas e materiais escolares, além do reflexo natural causado pelos custos operacionais das empresas nos dois últimos meses do ano.