Fotógrafo: Sergio Pierri
07/03/2015 - 04h25
Na noite de quinta-feira (5), o prefeito Marcelo Barbieri liderou a solenidade de inauguração da nova sede da Coordenadoria Executiva de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial - Centro de Referência Afro Mestre Jorge, localizada na Avenida Feijó, número 223, na região central de Araraquara.Na mesma solenidade, também houve a reinauguração do Telecentro Afro e da Biblioteca Afro Professor Eduardo de Oliveira.
“Este é um dia marcante para Araraquara, que nos deixa feliz e orgulhosos com o trabalho do Centro Afro, hoje uma referência para o Brasil na luta pela igualdade racial”, disse Marcelo. O prefeito também ressaltou a liderança da coordenadora Alessandra e as ações de toda a equipe do Centro Afro.
“É um trabalho sério e responsável, dentro de um espaço democrático oferecido a todas as pessoas de todas as raças da cidade, mas principalmente contra a desigualdade racial. Esta é a melhor forma de combater o racismo”, enfatizou o prefeito.
Marcelo enalteceu os homenageados que eternizam seus nomes no Centro Afro, o Mestre Jorge, “grande artesão e escultor araraquarense e brasileiro”, e o professor Eduardo de Oliveira, autor do Hino da Negritude, “o hino oficial da consciência negra no País”, e de outras ações pela igualdade racial.
O prefeito ressaltou ainda que nas próximas semanas um projeto de lei que reserva 20% das vagas em concursos públicos do Executivo para negros deverá ser enviado para votação na Câmara Municipal.
Ações afirmativas
Ao destacar a importância do Centro Afro como espaço público para a população, Alessandra Laurindo destacou o apoio e a autonomia oferecidos pelo prefeito Marcelo como "fundamentais para as ações" realizadas em Araraquara no combate à desigualdade racial.
“Com essa conquista, queremos e vamos intensificar cada vez mais a luta pela igualdade, nunca pela superioridade racial”, frisou Alessandra.
A vereadora Edna Martins também ressaltou as melhorias implementadas pelo governo do prefeito Marcelo em relação às políticas públicas, como as do Centro Afro. “Essas realizações destacam Araraquara no conceito nacional, principalmente na questão da igualdade”, acrescentou Edna. O presidente da Câmara Municipal, Elias Chediek, também prestigiou a solenidade.
O presidente do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo (órgão da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania), Marco Antonio Zito Alvarenga, elogiou a instalação do Centro Afro. “Com certeza, este é um dos espaços públicos mais importantes do Estado”, resumiu.
Infraestrutura
O novo espaço do Centro Afro oferece mais conforto aos usuários e traz os serviços oferecidos pelo Telecentro Afro e também a volta da Biblioteca Afro, além de oficinas culturais gratuitas.
A nova sede conta com investimento de R$ 120 mil, liberado no ano passado pelo governador do Estado Geraldo Alckmin, por indicação da deputada estadual Leci Brandão.
A verba foi utilizada na estruturação do espaço, com a compra de mobília e equipamentos, como cadeiras, notebook, projetor, equipamento de som, câmera fotográfica, filmadora, impressora, cavaquinho e pick up (DJ).
No Centro Afro, são realizadas oficinas, exposições, eventos comemorativos, campanhas, palestras, debates e cursos, como Artesanato Afro, Tranças Africanas, Bonecas, Samba Rock, Dança do Ventre, Afro Jazz, Fotografia e Cavaquinho, entre outros.
Já o Telecentro Afro visa promover a inclusão digital e social, possibilitando o uso gratuito dos equipamentos pela população. E ainda oferecerá cursos de informática básica e oficinas especiais.
Biblioteca
A Biblioteca Afro é um espaço voltado para a pesquisa de livros que envolvem a questão racial e também autores negros, sendo de acesso livre a todos, independente de cor, etnia, ou opção política.
Possui 396 livros específicos sobre a questão racial e soma mais de 500 exemplares, com títulos variados, incluindo revistas, jornais e edições que trabalham Políticas Públicas e Direitos Humanos, além de periódicos com temáticas raciais voltados para saúde da população negra, SOS Racismo e também literatura Afro Infantil.
Recebe o nome do professor Eduardo de Oliveira, que dedicou sua vida à causa da igualdade racial e defesa dos direitos humanos. Advogado, jornalista, professor e poeta, foi autor do Hino à Negritude, tendo publicado mais de dez livros e fundado o Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB). Eduardo de Oliveira faleceu aos 86 anos, no dia 12 de julho de 2012.
Os livros da Biblioteca Afro são originários de doações realizadas pela população, ONGs, editoras, Secretaria Estadual de Cultura e Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), do governo federal.
Para se associar, basta ao interessado preencher um cadastro na obtenção da carteirinha, sem a cobrança de taxas.
Participaram da cerimônia os secretários municipais Aluisio Braz, Boi (Governo); Marimar Guidorzi (Articulação Institucional e Participação Popular); Arary Ferreira (Educação) e Nino Mengatti (Segurança); e as coordenadoras Alessandra de Cássia Laurindo (Políticas de Promoção para a Igualdade Racial); e Geani Trevisoli (Políticas Públicas para as Mulheres).
Também marcaram presença o presidente do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo, Marco Antonio Zito Alvarenga, e várias outras autoridades locais, regionais e estaduais, incluindo estudantes africanos da Unesp, lideranças religiosas Afro e outros representantes do governo e da população.