Cadastro de artistas continua a partir do dia 09 de março
07/03/2015 - 04h30
O Conselho Municipal de Cultura, com o apoio da Secretaria Municipal da Cultura e Fundart, compilou os dados coletados no primeiro momento do cadastro de artistas da cidade. O projeto “Mapeamento de Artistas” foi realizado no período de novembro do ano passado até o último fevereiro e retoma o cadastramento na próxima segunda-feira (09).
O cadastro – efetuado de forma virtual ou física - constitui um banco de dados para artistas e gestores culturais da cidade a fim de orientar o Plano Municipal de Cultura. Ou seja: o número de artistas da cidade, em cada linguagem apurada, irá determinar a elaboração de editais, a ocupação de espaços e a verba destinada a cada segmento.
Ainda, este banco de dados será utilizado como uma importante plataforma de diálogo entre artistas da cidade e instituições, compondo um cadastro eficiente para consultas. O cadastro é uma exigência do Sistema Nacional de Cultura que visa compor o Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC). Também, o cadastramento torna-se um pré-requisito para participação em eventos e projetos institucionais produzidos pela Secretaria Municipal de Cultura que compõem a agenda cultural da cidade, via edital ou não.
Participação – Ao todo, neste primeiro momento, foram cadastrados 258 artistas. Os que participaram em maior número foram os músicos, com 29% (75 músicos) dos dados coletados, seguidos pelas linguagens: Teatro (21% - 54 artistas), Artes Visuais (9% - 23 artistas) e Literatura (7% - 19 pessoas).
Já as menores participações foram dos segmentos: Cine-Foto-Vídeo (3% - 7 pessoas), Capoeira (3% - 9 pessoas), Cultura Popular Urbana (2% - 5 pessoas) e Circo (2% - 6 pessoas). Artesanato e Gestor/Produtor Cultural, cada um destes segmentos, obteve 13 cadastros, o que equivale a 5% na participação total.
A maioria dos cadastros foi de pessoas com idade entre 31 e 45 anos (37% - 96 pessoas), seguidos por: 25 a 30 anos (24% - 63 pessoas), 18 a 24 anos (20% - 51 pessoas) e 46 a 55 anos (11% - 29 pessoas). Com até 15 anos foram 4 inscrições (2%), de 16 a 17 anos, 2 (1%); 56 a 65 anos, 8 pessoas (93%), 65 a 80 anos, 4 inscritos (2%). Nenhum artista com mais de 80 anos efetuou cadastramento.
Com Superior Completo foram 92 cadastros (35%), com Ensino Médio, 22% (57 pessoas), Superior incompleto (19% - 49 pessoas), Ensino Técnico (18% - 48 pessoas), Pós-Graduação (15% - 39 pessoas), Ensino Fundamental (5% - 14 pessoas).
Quanto à faixa salarial: 49% recebem de 1 a 3 salários mínimos, 22% de 3 a 5, 19% até um salário mínimo, 5% de 5 a 7, 2% de 7 a 10, e 2% acima de 10 salários mínimos.
Recursos - É importante que os artistas tenham consciência que a democratização dos recursos financeiros destinados à cultura terá como base a proporção de artistas cadastrados em cada uma das linguagens. Dessa forma: a linguagem com mais artistas cadastrados deve ter também um maior investimento.
O fotógrafo Henrique Santos realizou o seu cadastro em Cine-Foto-Vídeo. Ele conta que sente falta de atividades na área de fotografia e, por isso, se inscreveu. “Procuro conhecer novas pessoas que conheçam arte fotográfica e espero que mais gente da cidade se interesse por esta linguagem para, assim, termos mais palestras e apoio em projetos culturais que nos orientem a trabalhar com fotografia, seja para elaboração de projetos ou para oficinas e workshops”. Ele espera que os fotógrafos da cidade, nesta nova etapa de cadastramento, somem um bom número a fim de alcançarem alguns benefícios para a área, já que há muitas pessoas trabalhando com fotografia na cidade e que necessitam de mais instrução e conhecimento.
A jornalista e fotógrafa Bruna Moreschi também espera que o Mapeamento seja eficaz para dar visibilidade e incentivo, através de políticas públicas, aos artistas da cidade. “Uma ação como essa, realizada pela Prefeitura, proporciona reconhecimento e traz novas perspectivas ao setor, o que é muito importante. Além de facilitar o diálogo entre os próprios artistas, possibilitará o aprimoramento e a profissionalização do meio artístico, consolidando a vocação cultural de Araraquara”, comenta.
A designer e B-Girl, Isabela Lima, espera que o Mapeamento resulte em fortalecimento e o fomento da linguagem do Hip Hop. “Esta é uma das conquistas que o movimento busca desde seu surgimento e desenvolvimento na cidade”, diz. Para ela o cadastro deve possibilitar uma percepção mais ampla de onde e como as pessoas se desenvolvem nesta arte urbana, proporcionando aos envolvidos maior visibilidade e possibilidade de desenvolvimento e interação social. “Por meio deste Mapeamento, a linguagem tende a se expandir e ter como resultado a inclusão nas políticas públicas, projetos e atividades sócio-culturais do município”, afirma.
Dança - Causaram estranhamento os dados da Dança: apenas 15 artistas cadastrados (6%). “É muito triste ouvir tanta gente na cidade se dizendo ‘artista-criador’, ‘intérprete’, ‘professor’ em dança na cidade e quando há abertura para que isso efetivamente se registre, poucos se cadastram”, lamenta a professora e empresária Renata Pestana, bailarina formada pela Unicamp. “Muito me desagrada saber que tivemos pouquíssimos registros dos profissionais da área de Dança uma vez que o movimento de Dança aqui sempre foi forte e - queiram ou não - em grande parte, forte pelo incentivo de políticas públicas”, diz.
Renata lembra que Araraquara é farta de escolas e academias de dança, projetos gratuitos em dança, oficinas, grupos independentes – “não precisa ir longe, comparem pela quantidade existente nas cidades da região” - além dos eventos tradicionais em dança que "elencam" tradicionalmente há décadas o calendário anual do município. “A cidade tem alunos/bailarinos advindos das escolas e academias daqui ingressando anualmente universidades de Dança (Unicamp, UFBA) ou companhias nacionais e internacionais de peso como a PARTS na Bélgica e o Ballet Bolshoi. E cadê o povo que colabora efetivamente para a formação dessa galera que é ‘exportada’? Cadê a classe que acredita nessa forma de arte? Nessa linguagem? Nessa forma de conhecimento?”, indigna-se a bailarina.
“É uma pena que houve pouca representatividade dos artistas da Dança”, lamenta a bailarina Lidia Morcelli Duarte. “Sabemos que Araraquara é uma cidade que se destaca entre muitas outras na formação de profissionais. Espero que mais pessoas possam se mobilizar para atrairmos mais recursos e incentivos públicos para a produção e circulação de espetáculos nos teatros da nossa cidade”, defende Lidia. “Achei ótima a iniciativa do Mapeamento de Artistas de Araraquara”. Renata concorda com Lídia e acredita que o Mapeamento de Artistas é louvável em seu propósito. “Visa exatamente levantar dados exatos de como estão os profissionais das áreas artísticas no município para, através deles, estudar e viabilizar a destinação de verbas, novos projetos, atividades da agenda cultura, entre outros”.
A bailarina solicita um maior envolvimento da categoria com o cadastro. “Vamos lá bailarinos, coreógrafos, docentes e criadores de Araraquara! É do nosso interesse, é para a melhoria de condições para a classe e município, fomento, divulgação, troca, evolução! A atitude individual de vocês vai gerar consequências coletivas (como tudo que fazemos). Se cadastrem para que tenhamos presentificação enquanto registro e dados e não somente enquanto cotidiano”, alerta.
Cadastro - Os artistas de Araraquara podem fazer seu cadastro no Mapeamento de Artistas locais de forma virtual ou física. As linguagens do cadastro são: Teatro, Circo, Dança, Literatura, Cine-Foto-Vídeo, Artesanato, Artes Visuais, Música, Capoeira, Cultura Popular Urbana e Gestor/Produtor Cultural.
A plataforma utilizada para o cadastro continuará disponível na internet – na página da Prefeitura de Araraquara, no Facebook e também em blogs que queiram colaborar com a divulgação. Os artistas poderão se cadastrar online ou fisicamente.
O formulário impresso ficará disponível na Casa da Cultura, Palacete e Centro de Artes e Ofícios. Os artistas que se enquadrem em mais de uma linguagem deverão preencher o cadastro em cada uma delas (as questões se diferem de acordo com as linguagens), porém sem a necessidade de preencher novamente os dados pessoais.
O Mapeamento seguirá até o dia 10 de julho, quando serão compilados novamente as informações para a unificação dos dados.