Médicos são suspeitos de fraudar registro de pontos no INSS de Araraquara

Peritos recebiam de R$ 14 a 21 mil de instituição e trabalhavam no máximo três horas. Carga horária era de oito horas

24/06/2015 - 04h20

Pelo menos quatro  médicos suspeitos de fraudar o registro de pontos do Instituto Nacional de Serviço Social (INSS) de Araraquara foram afastados do cargo após a confirmação da fraude.

A Operação denominada Ponto Final, foi comandada pelo delegado Adriano Rodrigues Junqueira, da Polícia Federal, na manhã de ontem (23).  Os peritos – que deverão ser interrogados na próxima semana – vão responder pelos crimes de falsidade ideológica, estelionato, abandono de função pública, prevaricação e associação criminosa.

Os nomes dos médicos não foram divulgados pela polícia.  Eles não poderão entrar no edifício do INSS enquanto a investigação não for concluída.

Os peritos recebiam salários de 14 a 21 mil mensais.  Mesmo assim, deixavam de dar expediente na instituição para atender em consultórios e hospitais da cidade.

O Ministério da Previdência Social está oferecendo todas as medidas necessárias para auxiliar na investigação contra os acusados.

Com o apoio da Força Tarefa Previdenciária, a investigação descobriu que os peritos médicos não cumpriam a carga horária de trabalho.

Eles usavam a “escapadinha” para ganhar dinheiro em clínicas e hospitais particulares, enquanto deveriam estar exercendo a função na Gerência Executiva do INSS na cidade.

Os médicos conseguiam concluir a fraude com a ajuda de amigos. Cada um dos peritos usavam a senha pessoal dos colegas para registrar o ponto.

O mesmo médico que abria o ponto para todos e fechava no final da tarde para o restante. Nenhum deles cumpria a jornada diária de oito horas de trabalho.

Quando ficavam eram duas ou no máximo três horas. Dificilmente havia médico no INSS no período da tarde. Eles usavam esse período para atendimento em clínicas e hospitais.

 

Esquema de fraude ocorrido havia pelo menos quatro meses e era muito bem organizado

Os policiais federais apreenderam agendas e computadores. Neles haviam provas mais consistentes sobre o registro dos pontos.

Um deslize de um dos médicos ocorrido em maio deste ano comprometeu a organização da fraude.

O perito estava afastado do trabalho em virtude de uma licença médica, mas mesmo assim teve o ponto registrado.

“O desprezo com o erário público – principalmente com a população - e a sensação de impunidade é tão grande que um colega registrou o ponto do perito que estava afastado”, comentou Junqueira.

Os peritos terão que prestar depoimentos e o crime será encaminhado à Justiça nos próximos dias. Se condenados os médicos poder perder o cargo público e terão que devolver os valores recebidos de forma irregular.