01/07/2015 - 05h00
O debate “Os rumos na política no cenário de crise” reuniu um renomado grupo de autoridades para a finalização do curso de formação política realizado pela Escola do Legislativo. Profissionais da área, assessores, secretários e políticos da região se reuniram no auditório da ACIA (Associação Comercial Industrial de Araraquara) para debater sobre o atual cenário político do Brasil.
O evento contou com a participação do prefeito Marcelo Barbieri, do deputado estadual Roberto Massafera, do professor dr. Milton Lahuerta, do vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado de S. Paulo, Dimas Ramalho, da presidente da Escola do Legislativo, vereadora Edna Martins, e do presidente da ACIA, Renato Haddad. Os vereadores Elias Chediek, Jeferson Yashuda e Dr. Helder também prestigiaram o debate.
Com organização do CEDRO, ACIA e Laboratório de Política e Governo da UNESP, o evento, de acordo com Edna, traz uma reflexão sobre os rumos políticos do país.
O professor Lahuerta alertou que o debate não fugiria da complexidade do momento e que a crise não era restrita ao Governo Federal. “A política está mal vista mundialmente”, disse. De acordo com o professor, esse é um processo de radicalização anunciado pela Modernidade desde o século XIX. “Foi quando emergiu um novo padrão tecnológico e produtivo, saindo da indústria do metal-mecânica”.
A indústria da informação, com a tecnologia e informática, permitiu que a informação circulasse o mundo. “Porém é um fluxo de informações desorganizadas, sem hierarquia e sem qualidade”, criticou o professor.
O individualismo e o excesso de consumo, assim como a pressão diária para decisões rápidas e o aumento da violência entre os jovens, são resultados desse novo cenário. “Isso envolve fazer uma reforma política, é necessário aproximar os cidadãos das instituições, operar mudanças e trabalhar para criar outra cultura política”. Segundo Lahuerta, quanto mais desqualificada a política, maior a violência.
A vereadora lembrou que, nos últimos tempos, o formato dos movimentos sociais vem mudando e, portanto, faz se necessária também a mudança na política.
Para o prefeito Marcelo, a política passa por um momento sério que se relaciona com a economia e a própria política. “A crise econômica leva à crise política e, esses fatores juntos, podem aproximar de uma ruptura – para o bem ou para o mal, não sabemos”.
O peso do voto brasileiro também foi lembrado pelo prefeito, assim como o financiamento das campanhas. Marcelo acredita que é preciso motivação para atuar na política. “Tem que haver o interesse de melhorar a vida das pessoas”.
Na análise do prefeito, o Brasil passará por mudanças que ainda não podem ser previstas. “Temos que ajudar, opinar e nos mobilizar. Temos tudo para dar certo. O momento é de turbulência, mas vai dar tudo certo”, apostou Marcelo.
O deputado estadual Roberto Massafera citou Aristóteles: “Política é a busca do bem comum”. Para ele, o mundo hoje - depois de passar pelas “ondas” agrária, industrial e, agora, a da sociedade da informação - tornou-se uma economia global. “O mundo moderno exige repensar na maneira de governar”, apontou lembrando que a participação política não deve ser representativa e, sim, participativa. “Acredito no Brasil e na capacidade de se recuperar”.
Dimas Ramalho disse que nessa situação de crise, vivemos uma outra ordem. “Hoje vivenciamos uma crise no país - até no futebol! - e sabemos que soluções mágicas não dão certo”. Para ele, os políticos devem estar atentos. Tudo isso resulta na falta de representatividade e lideranças. “Qual o caminho real? Não tem: está em formação”, informou lembrando que, a grande lição, será respeitar as diferenças nessa época de radicalismo e intolerância.
O presidente da ACIA agradeceu o debate e lembrou que, para ser político, é necessária a formação. “As pessoas têm que estar preparadas para isso”, disse Haddad. Por fim, o debate foi aberto para todos os participantes e a mesa pode responder as questões apresentadas.