Araraquara recebe Seminário Nacional de Vozes Negras Femininas

Fotógrafo: João Carlos
28/07/2015 - 00h13

Cidade

O prefeito Marcelo Barbieri participou na sexta-feira (24) do Seminário Nacional de Vozes Negras Femininas, Aqualtunes, Nzingas, Dandaras e Acotirenes, em Araraquara. Na ocasião, Marcelo afirmou que a realização do Seminário “é um avanço na luta contra o racismo”.

O evento, realizado pelo Coletivo de Mulheres Negras do Mato Grosso do Sul com patrocínio do Fundo Elas e Instituto Avon, lotou o auditório “Edna Nogueira”, na Biblioteca Municipal Mário de Andrade, e contou com a palestra da presidente do Coletivo de Mulheres Negras do Mato Grosso do Sul, Ana José Alves.

Ao saudar as participantes de várias regiões do Brasil, o prefeito destacou o trabalho realizado pelo Centro de Referência Afro Mestre Jorge em Araraquara. “Apesar das dificuldades, estamos enfrentando o racismo, que é crime inafiançável. É uma honra para nossa cidade sediar o Seminário que já passou pelas principais cidades do País, e debater políticas públicas sobre os direitos das mulheres negras”, disse o prefeito, que lembrou ainda do apoio do Centro Afro e da Câmara Municipal para a introdução de cotas raciais nos concursos públicos do Município.

O presidente da Câmara, Elias Chediek, colocou o Legislativo à disposição do movimento negro que luta por igualdade e valorização da mulher negra e elogiou o trabalho da coordenadora de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Araraquara, Alessandra de Cássia Laurindo.

A representante do Conselho Estadual de Participação de Desenvolvimento da Comunidade Negra de São Paulo, Pérola dos Santos Quintiliano, lamentou que nem todas as cidades possuem um Centro Afro como o de Araraquara e avaliou que o Seminário Nacional é um grande aprendizado para os organizadores e participantes.

“Nós somos 50 milhões de mulheres negras no Brasil e nós temos que ter vozes fortes para alcançarmos nossos objetivos que são o respeito, a visibilidade e a igualdade na sociedade”, argumentou Silvana Veríssimo, do Fórum Nacional de Mulheres Negras, e do Grupo de Mulheres Negras Nzinga e Mbandi.

A coordenadora de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Alessandra de Cássia Laurindo, agradeceu o apoio da Prefeitura e da Câmara na organização do Seminário na cidade e reiterou a necessidade da união de todos para abrir as portas na luta contra o racismo. Enalteceu ainda a importância de Araraquara receber um evento com tamanha visibilidade. Ela citou como grandes exemplos as mulheres homenageadas que fazem a diferença no dia-a-dia da sociedade atuando como advogadas, enfermeiras, ambulantes, professoras, entre outras profissões.

Homenagens

O evento homenageou mulheres negras de grande expressão. Foram elas: Aparecida do Carmo Francisco Fellippe (representando as religiões de matrizes africanas), Carmelita Silva (ativista do movimento negro, defensora e impulsora da cultura negra), Fátima Avelino (pianista, comerciária e diretora do Baile do Carmo), Bel Souza (cantora e funcionária da Câmara Municipal), Márcia Tânia Alves (coordenadora do programa anemia falciforme), Maria Helena Silva (funcionária da Gota de Leite), Regina Fidenis (funcionária pública), Sônia Maria dos Santos (enfermeira e mãe do jogador de basquete Nezinho, irmã da jogadora de basquete Roseli e líder comunitária), Yolanda Cotrim Gomes (vendedora ambulante e líder comunitária) e Ana de Almeida (advogada em Ribeirão Preto).

“Uma noite especial e inesquecível”, resumiu a diretora financeira do Baile do Carmo, Fátima Avelino.

O evento foi encerrado com a apresentação cultural do Grupo "Pé do i", sob a coreografia de Sabrina Kelly e aclamado pelos presentes.

Oficinas

No período da manhã de sábado (25), Dia internacional da Mulher Afro-Latino Americana e Caribenha, no Centro Afro, os grupos temáticos debateram: “Combate a violência e racismo” (com Aparecida de Fátima Herculano Dias e Maria Fernanda Luiz), “Prevenção de DST-Aids” (Programa Estadual de Aids e Unicamp), “Combate à Violência de Gênero e Etnia-Violência Obstetrícia (com Beatriz Silva e Mariana Tezini), “Ações de combate a violência e acesso a justiça – Coordenadoria da Mulher de Araraquara e Adria Maria Bezerra (Presidente da Ong Casa da Mulher de Ribeirão Preto).

O relatório dos grupos temáticos e a conferência final “Violência no trabalho, combate ao assédio moral”, com Ângela Arcanjo, da Secretaria da Mulher do Sindicato dos Metalúrgicos, de Camaçari, na Bahia, foram as atividades de encerramento do Seminário.