Resultados promissores para o combate ao câncer: Pesquisa da Unesp é publicada em periódico internacional

10/05/2016 - 04h08

Pesquisador da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp de Araraquara, Rone Aparecido De Grandis mostra que o uso de complexos de rutênio - compostos inorgânicos com potencial anti-câncer - pode levar ao desenvolvimento de um novo medicamento para tratamento alternativo da doença.

A cisplatina, um dos principais fármacos utilizados no tratamento de vários tipos de câncer, é um complexo metálico que apresenta grande afinidade pelo DNA e inibe a divisão das células tumorais. Porém, seu uso tem trazido alguns obstáculos no tratamento como, a resistência tumoral e efeitos colaterais graves. O pesquisador, em busca de obter um composto mais eficaz, trabalhou com os complexos de rutênio, já conhecidos por outros grupos de pesquisa como promissores agentes no combate ao câncer.

De Grandis conseguiu mostrar que os complexos de rutênio do seu estudo, tem atividade superior à cisplatina e a outros complexos descritos na literatura. Um importante resultado apontado pela pesquisa foi que seus compostos são consideravelmente seletivos, ou seja, destroem as células tumorais sem provocarem danos às células normais do organismo.

“Conseguimos obter resultados altamente relevantes sobre a ação antitumoral de complexos de rutênio, com atividades aproximadamente 100 vezes maiores do que a de fármacos utilizados nos tratamentos atuais. Mostramos também que estes complexos possuem interação com moléculas biológicas, como DNA, topoisomerases e albumina. Além disso, destacamos a importância da avaliação do perfil de segurança de novos fármacos, por meio de testes de genotoxicidade recomendados internacionalmente”, explica o pesquisador.

Para avaliar o efeito antitumoral dos complexos, foram realizados testes em células de câncer de mama, próstata, intestino, fígado e colo uterino. Para o especialista, “os resultados são bastante expressivos, quando comparados com outros descritos na literatura até o momento”.

De Grandis pretende dar continuidade às pesquisas: “no doutorado, vou elucidar melhor o mecanismo de ação destes complexos. Os estudos sobre a caracterização biológica desses complexos se tornam importantes para que se possa definir o real potencial clínico”.

Este estudo foi desenvolvido no Laboratório de Mutagênese da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, da Unesp de Araraquara e contou com a participação da Profa. Dra. Eliana Varanda, Dra. Flávia Resende e Dra. Mariana Santoro. Os complexos foram sintetizados e quimicamente caracterizados no Laboratório de Estrutura e Reatividade de Compostos Inorgânicos da UFSCar, sob responsabilidade do Prof. Dr. Alzir Azevedo Batista e Me. Monize Martins da Silva. A pesquisa teve apoio da Fapesp e da Capes.

Prêmios
Em 2014, Rone recebeu o prêmio de melhor trabalho da área de mutagênese, apresentado no “60º Congresso Brasileiro de Genética” (Guarujá/SP) e, em 2015, o prêmio “Newton Freire-Maia” de melhor apresentação oral, pela Universidade Federal do Paraná (Curitiba/PR).

O pesquisador também teve artigo publicado no periódico internacional Mutation Research - Genetic Toxicology and Environmental Mutagenesis, e, outro paper, acaba de ser submetido ao Journal of Inorganic Biochemistry.

 

Maristela Garmes com informações de Alice Oliveira dos Santos/Portal de Periódicos da Capes