Marcão trabalhava na Folha da Cidade há mais de 30 anos
05/07/2016 - 18h02
Tristeza
Morreu na manhã desta terça-feira, dia 5, o diagramador Marcos Antonio Stuchi, de 50 anos. Ele estava internado na Santa Casa de Araraquara desde o último domingo, vítima de um acidente de moto ocorrido em Américo Brasiliense. Na queda, Marcos sofreu várias fraturas. Ele estava em estado de coma em virtude de lesões na cabeça. Seu sepultamento será realizado às 10h desta quarta-feira, 6, no cemitério de São Bento, centro de Araraquara. O corpo será velado a partir das 20h desta terça-feira no Velório Municipal da mesma cidade.
Marcos Stuchi, ou Marcão, como era mais conhecido, trabalhava no jornal Folha da Cidade há mais de 30 anos, atuando como diagramador do segundo caderno do jornal. Também trabalhava como inspetor de alunos na escola estadual Doutor Alberto Alves Rollo, na Vila Cerqueira, em Américo Brasiliense, onde morava com a esposa Rose e os filhos Bruna, 15 anos e Murilo, 25.A morte aconteceu às vésperas do aniversário de Marcos, que aconteceria nesta quinta-feira, 7.
Marcão era uma pessoa reservada, mas conquistava a simpatia de todos com facilidade. Sua morte trouxe forte abatimento sobre todos aqueles com quem tinha convivência, tanto no jornal quanto na escola em que trabalhava também. Nas redes sociais, Marcão recebe homenagens de dezenas de pessoas por seu passamento, inclusive com declarações de inconformação.
No Facebook, a estudante Alice escreveu no perfil de Marcão: "E Hoje o Ceu ganha mais uma estrela.. Pô Marcão ..Justo você meu pai; Levei um choque quando soube disso... Amanhecer com essa Notícia... Sempre eu chegava na escola e você vinha com aquele sorrisao...Justo Você uma pessoa Maravilhosa, divertida... Vai deixar Muita falta pra nós...Pois você é e sempre vai ser o melhor... onde quer que você esteja.. Que esteja sempre conosco...Deus sabe oque faz...Você vai deixar muita saudade, e vai ser bem difícil chegar na escola e não ter você mais com a gente...Deus conforte o Coração da familia...".
Outra estudante, Bianca Santos, escreve: "Pois é meu amigo, você se foi .. Como éramos apegados não é mesmo ? Sempre saindo da sala pra te encher o saco ou pra conversarmos .. Quantas vezes ja zuamos juntos você sempre me dando conselhos e tentando imitar os "biquinhos" que eu fazia nas fotos. Realmente você vai nos fazer uma falta enorme e na escola ja não vai ser a mesma coisa .. Vai faltar você pra brincar comigo , pra me zoar mandar eu pra sala. Sempre se preocupando comigo,me dava lições de moral... ".
Tristeza
Na redação da Folha da Cidade o abatimento era visível em todos os colegas de Marcos. Para alguns foi uma convivência diária de mais de 30 anos. "A edição de amanhã da Folha será muito triste, não consigo pensar direito", disse a jornalista Valesca Mendonça. A secretária Liliane, de cabeça baixa, também não escondia sua tristeza, já que trabalhava intensamente com Marcos. O diretor do jornal, Jolindo Freitas, lamentava a perda de um amigo de longa data.
Outro funcionário do jornal, Moacir, também diagramador, parceiro de Marcão na missão de dar forma ao jornal, lamentou a morte do amigo de mais de 30 anos. "Neste período longo de convivência já dividimos alegrias, sofrimentos, solidão e medos. Vimos nossos filhos crescerem praticamente na mesma idade e fomos, inclusive, vizinhos". Os dois ingressaram em jornais nos anos de 1980, quando o computador e os modernos sistemas de impressão off-set ainda não haviam chegado aos periódicos do interior.
Acidente
O acidente que originou a morte de Marcos Antonio foi o segundo de sua vida. Há mais de 20 anos, Marcão sofrera outro acidente, na Via Expressa, sob o pontilhão do antigo terminal rodoviário de Araraquara, quando caiu ao desviar de um buraco. Foi socorrido em estado grave e ficou vários dias em estado de coma, recuperando-se aos poucos e recobrando a consciência. Anos depois, enfrentou uma cirurgia no coração e, por vezes, exibiu aos colegas, com orgulho, a vistosa cicatriz no peito. Trabalhador, era dedicado à família.