31 de Outubro: comemorar o Dia do Saci é lei no estado de São Paulo

Autor da propositura reconhece que os objetivos ainda não foram alcançados

01/11/2016 - 02h00

Cidade

ROGÉRIO BELMIRO TAMPELLINI 

De autoria do deputado Afonso Lobato (PV), a Lei estadual N.º 11.669 que institui no estado o Dia do Saci, a ser comemorado anualmente no dia 31 de outubro; foi uma iniciativa da Sociedade dos Observadores de Saci da cidade de São Luis do Paraitinga, onde a lenda é amplamente difundida e valorizada. Além de fazer um contraponto em relação ao Halloween norte-americano, a data pretende chamar a atenção da sociedade para a valorização e preservação de um personagem marcante do folclore nacional. 

Criada para proteger e difundir o patrimônio imaterial nacional, a norma mostra-se impotente e frágil, frente à poderosa e agressiva estrutura organizada por instituições, meios de comunicação, indústria e comércio; com a finalidade de induzir a população a comemorar anualmente uma tradição alheia a realidade e a cultura do povo brasileiro. 

A insuficiência do Estado no cuidado com os bens de interesse público de preservação é um péssimo exemplo para a sociedade. Há mais de uma década, a data está inclusa no calendário oficial de eventos do estado de São Paulo, mas não é observada pela rede pública e particular de ensino. Escolas de ensino médio e fundamental realizam grandes eventos para cultuar o Halloween, enquanto a Lei e os personagens do folclore nacional caem no esquecimento. 

O autor da propositura no Legislativo paulista reconhece que os efeitos desejados ainda não foram alcançados plenamente, e aponta principalmente a falta de divulgação da lei nas escolas, onde os educadores ainda preferem festejar o Halloween ao Saci. “Compreendo primeiramente que há falta de conhecimento e de informação das respectivas equipes pedagógicas e dos professores para entender o alcance da iniciativa. Mas também acho que a força da mídia voltada para indústria cultural que massifica tudo aquilo que é comercial e que pode se transformar em produto de alto valor agregado, desvaloriza o que tem a ver com a cultura local, levando as pessoas a alienar-se com relação às tradições e ao acervo cultural nacional e da sua própria origem”. 

Lobato afirma que o Poder Público precisa fazer valer a lei e buscar estabelecer mecanismos para que se façam políticas públicas de preservação cultural no estado, porém, é enfático quanto ao papel da sociedade: “Entendo que a sociedade precisa cumprir o seu papel, tomando a iniciativa de fazer com que datas como o Dia do Saci ganhem mais visibilidade, com a realização dos seus próprios eventos”, finaliza o parlamentar.