Horta Comunitária do São Rafael completa um ano em dezembro

Iniciativa produz hortifrútis orgânicos de qualidade com a participação da comunidade local

17/12/2020 - 23h12

Cidade

Alface, couve, almeirão, chicória, beterraba, berinjela, rabanete e mais uma dezena de hortaliças, verduras e ervas cultivadas pela comunidade garantem uma alimentação saudável, sem agrotóxicos, aos moradores do Jardim São Rafael. Esses produtos são cultivados em um espaço ao lado do CEU das Artes, em um local que antes estava ocioso. A iniciativa, considerada o primeiro exemplo municipal de empreendimento urbano sustentável voltado à agroecologia, está completando um ano neste mês de dezembro.

O espaço possui 900 m² e integra o Programa Municipal Hortas Urbanas Comunitárias Colhendo Dignidade, criado pela Lei nº 9834 de 12 de dezembro de 2019. O projeto é uma ação intersetorial com a participação das coordenadorias de Agricultura e de Segurança Alimentar, em parceria com o Daae e o Cras (Centro de Referência de Assistência Social) do bairro.

Até 2019 o local que hoje abriga a horta comunitária era um terreno ocioso, que acumulava lixo. “Agora é um local transformado, que enche os olhos da população e em especial das protagonistas dessa história. Hoje podemos dizer que é um lugar de trabalho, de conhecimento e de troca de experiências, além do acolhimento e da mudança nutricional na vida de cada participante e da comunidade local”, explica a gestora do programa Colhendo Dignidade, Enedina Andrade.

O projeto começou com a participação de 15 pessoas, entre homens e mulheres de diferentes idades. “Foram vários momentos de trocas, oficinas de capacitação, visitas aos quintais dos participantes para construir a identidade do grupo”, conta Enedina, que é filha de agricultores e está bastante familiarizada com o manejo da terra.

Atualmente, oito moradores – sendo sete mulheres – contribuem voluntariamente de forma regular com o espaço, que desde a última semana passou a contar com mais um aliado, um sistema de compostagem, numa parceria com a Cooperativa Sol Nascente.

Através da iniciativa os resíduos orgânicos gerados no entorno da horta pela própria comunidade são transformados em compostos utilizados para a adubação do próprio espaço de cultivo, ajudando a produzir hortifrútis orgânicos de excelente qualidade.

De acordo com a gestora, a horta comunitária do São Rafael vem mudando a vida de muitas pessoas, em especial das mulheres envolvidas. “Vimos casos de mulheres que tinham depressão e hoje possuem mais qualidade de vida graças ao manejo da terra. Temos também histórias de pessoas com diabetes e hipertensão que viram sua saúde melhorar com o consumo dos alimentos produzidos na horta”, descreve.

“O conhecimento, a dedicação e o esforço despendidos na horta são dessas mulheres incríveis”, ressalta Enedina.

Os produtos agroecológicos fruto desse trabalho são consumidos pelas famílias das moradoras, pela comunidade local e por entidades sociais por meio de doações ao Banco Municipal de Alimentos.

O modelo deu tão certo que foi expandido em julho deste ano, quando chegou ao Residencial dos Oitis. Valle Verde, Jardim Cruzeiro do Sul, Hortênsias e Parque São Paulo também devem receber o projeto futuramente.

Para o coordenador de Segurança Alimentar, Marcelo Mazeta, o programa vem materializar os anseios da comunidade no que tange à garantia do direito humano básico à alimentação e à nutrição. “Que nesse primeiro ano todos possamos avaliar a necessidade e a importância do projeto enquanto política pública que oferece dignidade e qualidade de vida na mesa do povo”, pontua o coordenador.

 “A horta é um espaço de esperança e de combate à fome”, resume Enedina.