O calor excessivo, as condições das ruas e calçadas e os problemas relacionados à infraestrutura urbana estão entre as principais preocupações identificadas na primeira consulta pública sobre a revisão do Plano Diretor de Araraquara.
Os resultados foram divulgados pela Prefeitura nesta sexta-feira (23) e reúnem 137 respostas válidas de moradores de 82 bairros do município.
A consulta ocorreu entre 23 de setembro e 8 de outubro de 2026 e integra o processo de revisão do Plano Diretor, legislação responsável por orientar o crescimento e a ocupação urbana da cidade.
Calor excessivo é um dos principais problemas relatados
De acordo com os resultados apresentados, 91% dos participantes afirmaram sofrer impactos relacionados a eventos climáticos extremos.
O calor excessivo foi mencionado por 65% dos respondentes.
Outros problemas também apareceram no levantamento:
* Ventanias e chuvas intensas: 48%;
* Enxurradas: 39%;
* Alagamentos e inundações: 36%;
* Erosão: 26%;
* Falta de água: 19%.
Os resultados mostram a importância atribuída pelos participantes a medidas relacionadas à arborização, drenagem urbana, preservação ambiental e adaptação às condições climáticas.
Essas informações serão consideradas nas próximas etapas da revisão do Plano Diretor.
Ruas, calçadas e iluminação também preocupam
Além das questões climáticas, o levantamento identificou demandas relacionadas à infraestrutura dos bairros.
Quando questionados sobre aspectos da cidade que funcionam bem ou precisam de melhorias, 54% dos participantes marcaram ruas, calçadas e iluminação pública.
O meio ambiente apareceu em 45% das respostas, seguido por saneamento, drenagem e resíduos, com 42%.
Trânsito e arborização foram mencionados por 37% dos participantes cada.
O transporte público apareceu em 28% das respostas, enquanto o acesso aos serviços públicos foi assinalado por 32%.
As contribuições também abordaram acessibilidade, ciclovias, pavimentação, escolas, unidades de saúde e equipamentos de lazer.
Moradores deram nota média de 6,5 aos bairros
Os participantes também foram convidados a avaliar a qualidade de vida nos bairros onde moram.
A nota média registrada foi de 6,5, em uma escala de zero a dez.
Segundo os dados apresentados, 53% atribuíram notas entre cinco e sete, enquanto 35% avaliaram seus bairros com notas entre oito e dez.
As respostas revelam diferentes percepções sobre as condições de moradia e a qualidade da infraestrutura urbana.
Plano Diretor de 2014 é questionado
Outro ponto abordado foi a capacidade do atual Plano Diretor, aprovado em 2014, de responder às necessidades do município.
Segundo o levantamento, 46% dos participantes consideram que a legislação atende apenas parcialmente aos desafios atuais.
Outros 24% avaliam que o documento não responde adequadamente às necessidades da cidade.
Somados, esses dois grupos representam aproximadamente 70% dos respondentes.
Além disso, 20% afirmaram não conhecer o Plano Diretor.
Crescimento de Araraquara também divide opiniões
As manifestações registradas abordaram diferentes possibilidades de expansão urbana.
Entre os assuntos discutidos estão a abertura de novos loteamentos, a ocupação de áreas vazias dentro da cidade, a preservação ambiental e a necessidade de infraestrutura para acompanhar o crescimento populacional.
Parte das contribuições defende a expansão para novas regiões, enquanto outras sugerem priorizar áreas que já possuem infraestrutura instalada.
As propostas ainda serão avaliadas tecnicamente e não representam decisões aprovadas pela Prefeitura.
Participação ainda foi limitada
Embora a consulta tenha recebido contribuições de moradores de 82 bairros, o número de participantes foi relativamente pequeno diante da população total de Araraquara.
Foram registradas 137 respostas válidas e 342 manifestações abertas, das quais 257 tratavam diretamente de assuntos relacionados ao Plano Diretor.
Também houve participação expressiva de pessoas com conhecimentos técnicos na área de planejamento urbano.
Por isso, os percentuais apresentados refletem exclusivamente as opiniões dos participantes e não podem ser generalizados como se representassem toda a população de Araraquara.
O que acontece agora?
A revisão do Plano Diretor começou em agosto de 2026 e conta com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
A legislação estabelece diretrizes relacionadas à ocupação do solo, mobilidade, habitação, infraestrutura e preservação ambiental.
Segundo o cronograma divulgado, ainda serão realizadas outras três consultas públicas on-line antes da audiência pública final do processo participativo.
As informações coletadas contribuirão para a elaboração de propostas de atualização da legislação municipal.
A revisão ainda está em andamento e as contribuições apresentadas não significam que mudanças nas regras urbanísticas já tenham sido aprovadas.
Onde consultar os resultados?
Os dados completos da primeira consulta estão disponíveis no documento público de indicadores divulgado pela Prefeitura.