Os índices do dissídio coletivo dos trabalhadores em Tecnologia da Informação (TI) serão decididos na Justiça. Houve um tentativa de conciliação pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na sexta-feira, mas sem sucesso. Enquanto isso, a categoria mantém o estado de greve, com estabilidade para todos os empregados do setor, mas estão suspensas as manifestações e paralisações.
De acordo com o diretor da regional de Araraquara do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados (Sindpd), Daniel Forini, a greve poderá ser retomada caso haja algum desrespeito aos direitos previstos na Lei de Greve e após decisão em assembleia e comunicação prévia às empresas. No entanto, por hora, a recomendação aos trabalhadores é que permaneçam em seus postos.
Forini explica que, desde a deflagração da greve, estão garantidos aos trabalhadores os direitos de estabilidade e de proteção contra qualquer tipo de pressão da classe patronal. “Isso permanece durante todo o período de julgamento do dissídio e por mais 90 dias após a decisão”, afirma. “Nós do Sindpd iremos monitorar a manutenção desses direitos e, caso haja desrespeito por parte de alguma empresa, orientamos o funcionário que nos comunique, para que possamos agir.
Na manhã da última sexta-feira, quando foi deflagrada a greve em todo o estado de São Paulo, o Sindpd realizou um movimento de greve em frente à Hewlett-Packard (HP) em Araraquara. Cerca de 30 pessoas do Sindicato estiveram no local com faixas e panfletos informando os funcionários da empresa sobre a greve e os seus direitos.
O Sindpd já conseguiu firmar Acordos Coletivos de Trabalho com 140 empresas, que aceitaram estabelecer reajuste nos salários de 7,5%; nos pisos, de 8%; VR de R$ 15,00, sem desconto para os trabalhadores; e PLR para todos a ser negociada por comissão de trabalhadores eleita e pelo Sindpd. Esta foi a mesma proposta apresentada no TRT, mas sem adesão da classe patronal, representada pelo Sindicato das Empresas de Processamento de Dados e Serviços de Informática do Estado de São Paulo (Seprosp).
De acordo com Daniel Forini, a principal luta do Sindpd é para garantir a todos os trabalhadores do setor os mesmos direitos. Hoje, a PLR e o VR não são obrigatórios para as pequenas empresas. Além disso, o Sindicato também quer que a categoria tenha licença-maternidade de 180 dias.
“Quando permitimos que empresas menores mantenham profissionais especializados com piso pequeno e sem benefícios, toda a categoria é prejudicada. Lutamos por igualdade aos trabalhadores da TI”, afirma Forini.