25 de julho: Dia Internacional da Mulher Negra, Latino Americana e Caribenha

25/07/2014 - 00h40

Este ano o dia 25 de julho - data que se comemora o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino Americana e Caribenha - tem um significado ainda mais especial, já que a Presidência da República instituiu a Lei nº 12.987, de 2 de junho de 2014, que inclui em seu calendário oficial o “Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra”, contribuindo para o fortalecimento e valorização da nossa luta.

O Dia Internacional da Mulher Negra, Latino Americana e Caribenha surgiu em 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana, quando se realizou o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e caribenhas, com a representação de mais de 70 países, no qual uma das decisões foi a definição do dia 25 de julho como celebração do Dia Internacional da luta e da resistência dessas mulheres.

A importância dessa data passa a vigorar como um dia de denúncia, resistência, reafirmação da identidade e também de visibilidade ao evidente racismo, discriminação, preconceito e a pobreza sofrida em especial pelas mulheres negras. Tudo isto por vivermos numa sociedade estruturada pelo cruel capitalismo, que tem como pilares o machismo, e a idéia de dominação de brancos sobre os negros, ainda herdada do período da escravização. Sendo assim, um dos principais objetivos deste dia é despertar para a construção coletiva de estratégias para o enfrentamento desse racismo e do sexismo.

Cabe ressaltar alguns dados pertinentes à valorização da data, pois, as mulheres negras representam pouco mais de um quarto da população brasileira, ou seja, mais de 50 milhões de mulheres segundo último censo do IBGE. Ainda, 60% das famílias brasileiras são chefiadas por mulheres negras, essas por sua vez são 56% das trabalhadoras domésticas.

No mercado de trabalho apenas 4,3% das trabalhadoras negras ocupam postos de direção ou gerência, enquanto entre as ocupadas não-negras este percentual atinge 16,6%.

Quanto à violência doméstica, no Brasil, 61% dos óbitos estimados até 2012 foram de mulheres negras (61%). Relativo à saúde, os dados também chamam atenção, pois doenças como a hipertensão arterial e o AVC, disfunções hepáticas com necessidade de hemodiálise, diabetes tipo II, miomas uterinos, pré-eclâmpsia, são prevalecentes nas mulheres negras, havendo em muitos casos um tratamento desigual por parte de médicos que tem “nojo” de tocarem no corpo dessas mulheres ou ainda na redução da anestesia por acharem que a Mulher Negra é forte e agüenta mais a dor.

Quanto à Invisibilidade da Mulher Negra na Mídia, ainda é latente, seja nas telenovelas, ou nas propagandas, as mulheres são majoritariamente jovens, brancas, magras e loiras, têm cabelos lisos e são de classe alta.

O governo municipal, através do Centro de Referência Afro, promove nesse sentido o desenvolvimento do empreendedorismo dos afrodescendentes, em especial da Mulher Negra, através dos cursos oferecidos gratuitamente - artesanato afro, tranças africanas e penteados étnicos - valorizando os expositores nos espaços destinados ao reconhecimento da cultura, bem como a sensibilização dos gestores de saúde através dos cursos de formação e programas em atenção à saúde da população negra, em especial da Mulher Negra.

A nossa luta é por uma Araraquara mais justa e mais humana no que tange à questão racial porque o racismo no Brasil existe, não é mais surpresa. Ele é real e presente, portanto temos que nos indignar sempre. A responsabilidade de combatê-lo é de toda a sociedade e todos estão convidados a somar conosco nessa construção de igualdade e equidade, pois somente com a compreensão de que o racismo é um mal coletivo é que poderemos avançar para um amanhã, onde o respeito ao próximo seja uma questão de consciência, independente do tom da pele.

 

*Alessandra de Cássia Laurindo

Coordenadora Executiva de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.