Sem telefone, sem remédio, sem material de limpeza e sem médicos, servidores entram em greve na quinta-feira
Autor: Luís Fernando Laranjeira
12/08/2014 - 02h14
Sem condições mínimas de higiene e de estrutura básica para o atendimento correto das urgências e emergências médicas, os funcionários das duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Araraquara entram em greve nesta quinta-feira. Em resposta à situação crítica, eles irão intensificar a triagem dos pacientes para que apenas os casos mais graves sejam atendidos.
Os servidores tomaram a decisão em assembleia realizada na última sexta-feira, quando a UPA da Vila Xavier foi fechada pela Prefeitura sob alegação de falta de médicos.
A situação é gravíssima, de acordo com os funcionários. Até a publicação desta notícia, não havia material de limpeza na UPA Central, as faxineiras estavam limpando a unidade simplesmente com água. Os telefones também passaram a semana passada cortados. Médicos, enfermeiros e assistente social usaram telefones particulares para poderem providenciar vagas em hospitais, verificar o andamento de exames e entrar em contato com a família de pacientes. Faltam medicamentos e funcionários. Não há segurança para pacientes e servidores. A população sente na pele.
A insatisfação de funcionários e de pacientes é geral. Os servidores estão em clima de insegurança com o fechamento inesperado da UPA da Vila Xavier sem maiores explicações por parte da Prefeitura. Outro motivo para a agitação da categoria é a ameaça constante de privatização da UPA e a precarização da relação de trabalho, como a redução da alimentação dos funcionários nos finais de semana e o corte de horas-extras.
A greve foi comunicada oficialmente à Prefeitura nesta segunda-feira, pelo Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região (SISMAR). “Até agora, o atendimento ainda é realizado graças ao esforço de toda a equipe de funcionários, que chegam a pagar para trabalhar”, explica Valdir Teodoro Filho, presidente do SISMAR. “Mas tudo tem limite. E os servidores não vão mais aceitar esta situação calados”, completa.
Pelos próximos dias, o Sindicato e os servidores vão conversar com a população, com os pacientes que estiverem esperando atendimento, para explicar os motivos da greve e os riscos que eles estão correndo por causa das péssimas condições de trabalho impostas nas UPAs.