Universidades iniciam pesquisa sobre dengue em Araraquara

Durante três anos, equipe da USP e Federal de Goiás acompanhará 3,5 mil crianças para obter novas informações a respeito da doença

15/08/2014 - 05h07

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) e do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP) inicia nesta sexta-feira (15), em Araraquara, os trabalhos de acompanhamento de cerca de 3,5 mil crianças e adolescentes da rede escolar, com idade entre 2 e 16 anos, para tentar identificar a dengue logo no início dos sintomas.

Com apoio da Secretaria Municipal de Saúde e do Sesa (Serviço Especial de Saúde de Araraquara) e prazo de três anos para a realização, o trabalho começa a partir de sintomas de febre e envolve também os familiares das crianças selecionadas para a pesquisa que irão responder a um questionamento sobre o tema.

De acordo com a médica infectologista e professora do Instituto de Medicina Tropical da USP, Gerusa Figueiredo, a pesquisa envolve mais de vinte pessoas, entre profissionais das universidades e do Sesa, que irão analisar neste período pessoas que foram vítimas da doença e os seus diferentes graus de contaminação.

Segundo o também professor do Instituto de Medicina Tropical da USP, Expedito Luna, hoje é possível saber sobre o desenvolvimento da dengue na cidade pelos casos notificados.

“Mas é preciso fazer um acompanhamento mais próximo, para colher o maior número possível de informações e, a partir daí, desenvolver políticas públicas voltadas ao combate da dengue”, explica Luna.

Laboratório

O chefe do Departamento de Virologia do Instituto de Medicina Tropical da USP, Claudio Pannuti, ressalta que Araraquara já possui um cadastro dos pacientes e outros dados da população que serão importantes para o começo dos trabalhos.

Pannuti resume o trabalho de três anos como a “história natural da dengue”. E complementa: “O objetivo é mapear os casos de dengue no município e o perfil dos pacientes”.

Segundo o professor Fredi Diaz Quijano, da Faculdade de Saúde Pública da USP, os dados do levantamento realizado na cidade serão utilizados para eventuais intervenções e políticas públicas de saúde, nos âmbitos municipal, estadual e federal, como uma eventual vacinação da população.

Preliminares

A secretária municipal da Educação, Arary Ferreira, destaca que a realização da pesquisa é importante para a cidade de Araraquara, “porque é uma forma de contribuição para o desenvolvimento de soluções no combate à dengue”.

O prefeito Marcelo Barbieri também ressalta a importância da pesquisa. “Trata-se de um estudo fundamental para o Brasil e também para os outros países do mundo que sofrem as conseqüências da dengue”, acrescenta.

Em maio deste ano, reunidos com diretores de escolas mantidas pela Prefeitura, pesquisadores da UFG e USP já debateram os detalhes da pesquisa que começa em Araraquara. O mesmo trabalho será realizado em Goiânia (capital do Estado de Goiás), com início previsto para breve.