Araraquara pode perder SAMU Regional

Alerta foi feito em audiência pública para discutir problemas na Saúde

Fotógrafo: João Carlos
20/09/2014 - 03h25

Situação critica!

A retirada de mais uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pode levar o Município a deixar de ser referência regional e perder repasses federais. O alerta foi feito por Claudemir Conte e Anderson Antonio de Freitas Faria, que atuam no serviço, durante audiência pública para discutir problemas da Saúde, realizada na Câmara Municipal, na noite de quinta-feira, 18 de setembro. 

Caso a medida se concretize, a cidade ficaria com apenas uma viatura do SAMU a partir de sexta-feira, 19 de setembro. O Ministério da Saúde manda R$ 65 mil mensalmente para cada viatura. Esse valor dobra em caso de qualificação das unidades. Desde 2010 o processo de qualificação está parado, de acordo com trabalhadores do setor. 

Ao contrário de Araraquara, Matão já tem três viaturas qualificadas e poderá ficar com o SAMU Regional. Para Conte, “ao desativar viaturas, o Município sinaliza que não precisa do serviço e os recursos deixam de vir; podemos perder até o 192, além dos graves prejuízos para o atendimento das pessoas”. “Não estamos mais conseguindo salvar vidas”, emendou Faria. 

O vereador Donizete Simioni (PT) observou que “vamos perder recursos e a regionalização e, sem as unidades atuando, funcionários altamente qualificados e dedicados vão ficar sem trabalhar e a população sem atendimento”. Para ele, “nada justifica o corte de recursos para a Saúde”. 

Mobilização 

Preocupados com o que ouviram, os vereadores Farmacêutico Jeferson Yashuda (PSDB), Rodrigo Buchechinha (SDD), Jair Martineli (PMDB) e Tenente Santana (PSDB) afirmaram que procurarão a Prefeitura para agendar uma reunião na tentativa de encontrar uma solução para este e outros problemas que atingem a Saúde. 

Yashuda disse que espera bom senso e entendimento de todos os envolvidos com a questão e ressaltou a urgência em resolver os problemas. De acordo com Martineli, “vamos fazer todo o possível, pois esta situação não pode ficar como está”. 

Santana defendeu união de esforços entre “as forças vivas da cidade”. Ele quer mobilizar Executivo, Legislativo, Judiciário, sindicatos e outros órgãos e entidades “para focarmos neste momento na busca de garantir atendimento médico”. Buchechinha sugeriu “trancar a pauta de votações da Câmara até esgotarmos as discussões e encontrarmos soluções”. 

Ausência 

Sem a presença de nenhum representante da Prefeitura, a audiência pública teve a participação de vereadores, integrantes do Sindicato dos Servidores Municipais (Sismar) e do SAMU. A iniciativa foi de Rodrigo Buchechinha. Os trabalhos tiveram a mediação de Yashuda, presidente em exercício da Câmara Municipal. 

“É lamentável o desinteresse da Prefeitura em discutir um problema tão grave. Uma falta de respeito”, sentenciou. O mesmo tom foi adotado por outros vereadores presentes. Para Jair Martineli (PMDB), “faltou respeito até com a base de apoio do prefeito aqui na Câmara”. 

Os sindicalistas Valdir Teodoro Filho e Marcos Zambone, presidente e vice-presidente do Sismar, reiteraram que “estamos aqui para discutir profunda e seriamente e contribuir para resolver os problemas; queremos, para construir, mas precisamos que a Prefeitura se disponha a debater”. Teodoro contou que os servidores da Saúde não entraram em greve para não piorar a situação. 

Situação dramática 

Opinião unânime entre os participantes é quanto à dramática situação da Saúde no Município. Claudemir apontou que desde que os cortes começaram “quatro pessoas morreram por falta de atendimento”. Segundo ele, “hoje (quinta-feira), houve três paradas cardíacas, mas só havia duas ambulâncias atendendo; duas macas de ambulâncias ficaram presas nas UPAs porque não tinha mais leito”. 

Faria relatou que o SAMU acaba fazendo serviços que não são de sua competência. “Tem unidade transportando gente para fazer hemodiálise, fazendo viagens para atender agendamentos de consultas por conta de acertos políticos; já teve paciente esperando três dias na UPA por um leito na Santa Casa; e, a UPA Central já não tem mais espaço para tanta gente e até maca tem faltado”, disse. 

O vereador Edio Lopes criticou as carências. “Faltam profissionais, faltam equipamentos, falta gestão”, disparou. Edio pediu que a Comissão Permanente de Saúde da Câmara “tome atitudes urgentes porque a situação não pode ficar como está; quem sofre é a população que mais necessita”. 

Bons profissionais

Por outro lado, os relatos referentes ao trabalho dos profissionais são positivos. Odair Cardoso, radialista, contou que a rápida intervenção de um médico e da equipe de enfermagem da UPA da Vila Xavier salvou a vida dele. “Ela estava com uma crise apendicite e foi salva pela atuação rápida e eficiente do pessoal da UPA da Vila”. 

Edio Lopes observou que “são realizados até procedimentos que não poderiam ser realizados, mas é a única forma de salvar pacientes que não têm como ser levados por falta de viaturas ou por falta de leitos nos hospitais; os profissionais são excelentes, mas, infelizmente, faltam estrutura e boas condições de trabalho para eles”.