31/10/2014 - 03h41
Um Curso de Princípios Básicos de Conservação e Restauro vem sendo realizado em Araraquara neste mês de outubro. Destinado a funcionários de museus e de locais que trabalham com acervo, o curso realizado pela Fundação Araporã, conta com 12 participantes e tem realização via Secretaria do Estado da Cultura.
O principal objetivo do grupo, por meio do curso, é desenvolver um programa de recuperação e conservação do Patrimônio Histórico e Cultural existente nos espaços museais, visando a manutenção dos seus acervos e focando na educação e na qualificação profissional com conhecimentos apropriados. A ideia é contribuir para a manutenção deste material, difundir informações a respeito da importância destes acervos e contribuir para a sua preservação e valorização cultural.
Entre os participantes estão funcionários dos museus municipais, Câmara Municipal, Biblioteca Mario de Andrade, técnicos e pesquisadores que desenvolvem trabalhos com patrimônio histórico e cultural e público interessado.
A equipe, coordenada pelo arqueólogo Dr. Robson Rodrigues, é formada por: Dra. Silvia Cunha Lima (restauradora e conservadora), Dulcinéia da Paz Rocha (restauradora e conservadora), Talita Catini (cientista social e educadora), Ana Patrícia Ferreira da Silva (cientista social e educadora) e a Dra. Grasiela Lima (gestão).
As ações desenvolvidas pelos profissionais são direcionadas para a realização de um diagnóstico do estado de conservação dos acervos musealizados; estudos e tratamentos técnicos adequados ao manuseio e acondicionamento de acervos; conservação de acervos históricos e arqueológicos; recuperação e restauro de acervos arqueológicos e, por fim, educação patrimonial.
Dr. Robson Rodrigues comenta que a execução das atividades do projeto se iniciaram em maio desse ano e conta com estudos e tratamentos técnicos adequados ao manuseio e acondicionamento de acervos; desenvolvimento de ações práticas nos objetos institucionalizados a partir de intervenções técnicas no tratamento e conservação de acervos patrimoniais e a prática da conservação de acervos históricos e arqueológicos.
De acordo com o coordenador da equipe, no desenvolvimento das oficinas de conservação preventiva e do restauro dos acervos musealizados, estão sendo abordados temas como: a salvaguarda adequada em reservas técnicas, inventário e curadoria dos acervos, técnicas e materiais utilizados na conservação preventiva e no combate aos agentes de deterioração - entre outros assuntos.
Virgínia De Gobbi, gerente dos museus municipais, lembra que em um primeiro momento foram analisados os acervos dos museus: Voluntários da Pátria, MIS (Museu da Imagem e do Som) e Mapa (Museu de Arqueologia e Paleontologia). A partir daí começaram as intervenções.
No momento estão sendo trabalhadas peças do acervo do Museu Voluntários da Pátria e MIS, com cuidados de higienização e também pequenos reparos. “Neste primeiro diagnóstico, foram inventariadas as peças mais críticas do acervo”, explica a gerente. “Futuramente, com uma expansão do projeto, a idéia é chegar ao acervo do Museu do Futebol e dos Esportes que, apesar de ser digitalizado, também conta com objetos”.
Curso – Um dos tópicos previstos no desenvolvimento do curso é a realização de diagnóstico do estado de conservação dos acervos musealizados, a fim de obter informações sobre as coleções e acervos históricos e arqueológicos e atual estado de conservação.
Dra. Silvia Cunha Lima explica que o trabalho de diagnóstico do estado de conservação dos acervos musealizados teve início com um profundo debate sobre as condições atuais dos locais de guarda destes acervos. “Sabemos que para a conservação preventiva é fundamental que as áreas destinadas à reserva técnica e exposição sejam adequadas do ponto de vista da estabilidade térmica, incidência de luz, segurança, manutenção predial – entre outros”.
Ela conta que, após esta etapa, o olhar da equipe se volta para os objetos salvaguardados nos museus e instituições participantes. “Avaliamos que estas instituições têm condições diferenciadas no que se refere ao tratamento de seus acervos, que por sua vez são extremamente ricos e diversificados. No momento estamos trabalhando processos de higienização de materiais modernos, como os polímeros, presente em muitos objetos do Museu Histórico e Pedagógico e do Museu da Imagem e do Som”.
Para os estudos e tratamentos técnicos adequados ao manuseio e acondicionamento de acervos são realizadas oficinas de formação e capacitação, priorizando a participação de pessoais envolvidos com patrimônio cultural. Já para a conservação de acervos históricos e arqueológicos são desenvolvidas ações práticas nos objetos musealizados a partir da intervenção técnica no tratamento e conservação de acervos patrimoniais.
Também, o grupo recupera e restaura acervos arqueológicos, por meio de intervenções técnicas de restauro em acervos que se encontram em condições inapropriadas de conservação e curadoria para compor posterior exposição.
Promover a Educação Patrimonial também é objetivo do projeto em desenvolvimento a promoção de ações em forma de oficinas voltadas às escolas de Ensino Fundamental e Médio – assim como grupos sociais organizados – permitindo a socialização de informações e sensibilização para a preservação do patrimônio histórico e cultural.
Neste aspecto, o arqueólogo Robson Rodrigues observa que, além da conservação e restauro, também estão sendo desenvolvidas oficinas educativas no âmbito da Educação Patrimonial envolvendo o público escolar da EMEF Henrique Scabello, do Parque das Hortênsias e o público do Conselho Municipal de Combate a Discriminação e ao Racismo (CONCEDIR). “Compreendemos que é importante criar uma identidade com o patrimônio cultural local para que este patrimônio passe a ser reconhecido pela população como parte de sua vida e, conseqüentemente, seja valorizado e preservado”, conclui.