A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada no domingo (25), provocou uma forte reação no mercado financeiro brasileiro nesta segunda-feira (26). O dólar chegou a ultrapassar R$ 5,60, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, registrou queda superior a 17% em seu pior momento do dia.
A intensidade das perdas levou a B3 a acionar o chamado circuit breaker, mecanismo de segurança que interrompe temporariamente as negociações quando a Bolsa registra quedas acentuadas. A paralisação durou 30 minutos, sendo a primeira utilização do mecanismo desde março de 2020, durante a pandemia da Covid-19.
DÓLAR TEM FORTE VALORIZAÇÃO
A moeda norte-americana iniciou a segunda-feira em alta de aproximadamente 8,65%, negociada a R$ 5,42. Ao longo da manhã, a valorização chegou a superar 12%, levando a cotação para aproximadamente R$ 5,60.
Posteriormente, o dólar perdeu parte da força e era negociado próximo de R$ 5,43 por volta das 12h20.
Na sexta-feira (23), último pregão antes da eleição, a moeda havia encerrado abaixo de R$ 5,00.
BOLSA REGISTRA QUEDA HISTÓRICA
O Ibovespa também enfrentou forte pressão de venda. Após a interrupção das negociações, o índice chegou a cair 17,34%, atingindo aproximadamente 169,5 mil pontos.
Às 11h48, a Bolsa ainda recuava 16,15%, aos 171.931 pontos.
As perdas atingiram principalmente empresas ligadas ao mercado financeiro, comércio e construção civil. Em contrapartida, algumas exportadoras apresentaram valorização, beneficiadas pela alta do dólar.
POR QUE O MERCADO REAGIU NEGATIVAMENTE?
Segundo analistas do mercado financeiro, parte dos investidores havia apostado em uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), que poderia representar mudanças na condução da política econômica e maior contenção dos gastos públicos.
A reeleição de Lula contrariou essas expectativas, provocando uma revisão das estratégias de investimento e aumentando a procura pela moeda americana.
Entre as principais preocupações apontadas por economistas estão a trajetória da dívida pública, o controle das despesas federais, o cumprimento das metas fiscais e os possíveis impactos sobre os juros e a inflação.
O governo, por sua vez, tem defendido a manutenção dos investimentos e programas sociais, acompanhada de medidas para preservar o equilíbrio das contas públicas. Nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a equipe econômica pretende reforçar o compromisso com a meta fiscal.
COMO ISSO PODE AFETAR A POPULAÇÃO?
A disparada do dólar pode provocar consequências para além do mercado financeiro.
Caso a valorização da moeda americana permaneça elevada, produtos importados, componentes industriais, equipamentos eletrônicos e outros insumos cotados em dólar poderão sofrer pressão de preços.
O encarecimento desses produtos também pode chegar indiretamente ao consumidor brasileiro.
Outro ponto de atenção é o avanço dos juros futuros, que pode dificultar o acesso ao crédito e elevar os custos de financiamento para empresas e famílias.
Entretanto, especialistas ressaltam que a reação inicial dos mercados não determina, por si só, o desempenho da economia nos próximos anos.
EXPECTATIVA PARA O NOVO MANDATO
Após a reeleição, investidores devem acompanhar principalmente a composição da futura equipe econômica, o planejamento do orçamento federal e as medidas anunciadas para controlar o crescimento da dívida pública.
A definição dessas políticas será fundamental para avaliar se a instabilidade observada nesta segunda-feira será passageira ou poderá se prolongar.
O mercado financeiro permanece atento aos próximos pronunciamentos e decisões do governo.
Os valores apresentados são parciais do pregão de segunda-feira (26) e podem mudar até o fechamento das negociações.
Fonte: Levantamento do Portal Folha da Cidade com informações de Reuters, CNN Brasil, InfoMoney, UOL Economia e Suno.