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Gasolina a quase R$ 9 em São Paulo: entenda por que o combustível chegou a esse preço em alguns postos

Levantamento da ANP encontra gasolina comum a R$ 8,97 e aditivada a R$ 8,99; pressão do petróleo internacional, impostos e custos de comercialização ajudam a explicar os preços, enquanto Araraquara registra aumento na média semanal.

Foto: Arte / Folha da Cidade 28/10/2026 - 11h59
Gasolina a quase R$ 9 em São Paulo: entenda por que o combustível chegou a esse preço em alguns postos

O preço da gasolina está chamando a atenção dos motoristas paulistas. Em determinados postos do estado de São Paulo, o litro da gasolina comum chegou a R$ 8,97, enquanto a aditivada foi encontrada por R$ 8,99, praticamente atingindo a marca de R$ 9.

Os valores constam dos dados do levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referente ao período de 18 a 24 de outubro de 2026.

Apesar dos preços elevados encontrados em alguns estabelecimentos, o levantamento não indica que a gasolina esteja custando R$ 9 na maioria dos postos. A média estadual da gasolina comum foi de R$ 6,35 por litro, praticamente estável em comparação com os R$ 6,36 registrados na semana anterior.

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A diferença entre o preço médio e o maior valor encontrado evidencia as grandes variações que o consumidor pode enfrentar dependendo do local escolhido para abastecer.

Por que a gasolina está tão cara?

Diversos fatores influenciam o preço final dos combustíveis, começando pelo mercado internacional do petróleo.

Os conflitos geopolíticos no Oriente Médio têm provocado instabilidade no mercado energético mundial, pressionando as cotações do petróleo e os custos de refino.

Em outubro, o Governo Federal informou que o barril do petróleo Brent havia superado a marca de US$ 100, diante das dificuldades de oferta e das tensões internacionais.

Como o petróleo e seus derivados são negociados internacionalmente em dólar, as oscilações cambiais também podem influenciar os custos do combustível comercializado no Brasil.

Além disso, o valor pago pelos consumidores inclui o custo de produção ou importação, a mistura obrigatória de etanol, despesas com transporte, tributos e margens de comercialização das distribuidoras e dos postos.

Segundo a ANP, os preços dos combustíveis são livres no Brasil desde 2002, não existindo tabelamento geral dos valores cobrados nas bombas.

Por isso, diferenças nos custos operacionais e nas políticas comerciais dos estabelecimentos podem resultar em preços bastante distintos, mesmo dentro de uma mesma cidade.

Entretanto, não há informações suficientes para atribuir o preço de R$ 8,99 de um estabelecimento específico a apenas um desses fatores.

Governo reduziu impostos para conter os preços

Diante da pressão internacional sobre os combustíveis, o Governo Federal anunciou, em 9 de outubro, novas medidas para tentar reduzir o impacto sobre os consumidores.

Entre elas está a suspensão temporária dos tributos federais PIS/Pasep, Cofins e Cide incidentes sobre a gasolina, pelo período inicial de 30 dias.

Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, as alterações tributárias anunciadas representam uma redução federal de até R$ 0,89 por litro em relação à situação anterior às medidas.

A redução dos tributos, porém, não significa que todos os postos sejam obrigados a aplicar imediatamente uma diminuição idêntica no preço final. Outros componentes da cadeia continuam influenciando os valores cobrados.

Postos estão sendo fiscalizados

O preço dos combustíveis também entrou na mira dos órgãos de defesa do consumidor.

Em atualização divulgada no dia 26 de outubro, o Ministério da Justiça informou que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) havia expedido 39 notificações a postos de combustíveis em 21 estados.

A operação busca analisar as margens de comercialização, verificar documentos e apurar possíveis aumentos injustificados.

Parte das fiscalizações presenciais ocorreu na cidade de São Paulo e no Rio de Janeiro.

É importante destacar que a cobrança de um preço elevado, isoladamente, não comprova prática abusiva. Eventuais irregularidades dependem de investigação e da análise dos custos e margens de cada estabelecimento.

E em Araraquara, quanto custa a gasolina?

O levantamento mais recente da ANP mostra que o litro da gasolina comum custou, em média, R$ 6,25 nos postos pesquisados em Araraquara, entre 18 e 24 de outubro.

Na semana anterior, a média havia sido de R$ 6,10, representando um aumento de aproximadamente 2,5%.

Na pesquisa mais recente, os preços da gasolina comum na cidade variaram de R$ 5,39 a R$ 6,89.

A diferença reforça a importância de pesquisar antes de abastecer, especialmente para motoristas que utilizam o veículo diariamente ou percorrem longas distâncias.

Quanto custa encher o tanque?

Para um automóvel com tanque de 50 litros, abastecer com gasolina comum ao preço de R$ 8,97 representa uma despesa de R$ 448,50.

Considerando a média estadual de R$ 6,35, o mesmo abastecimento custaria R$ 317,50, uma diferença de R$ 131.

Embora os valores próximos de R$ 9 sejam casos extremos dentro da pesquisa, eles mostram a dimensão das diferenças encontradas no mercado de combustíveis.

Com o cenário internacional ainda instável, especialistas e autoridades seguem acompanhando o comportamento dos preços e seus possíveis reflexos no orçamento das famílias.

Fontes: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Ministério da Justiça e Segurança Pública, Secretaria Nacional do Consumidor e Ministério de Minas e Energia. Dados consultados em 28 de outubro de 2026.