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Nikolas, reeleito com 3,1 milhões de votos, é alvo de pedido de apreensão de passaporte e denuncia perseguição política

Pedido apresentado por político do PT à Procuradoria-Geral da República levanta debate sobre os limites das medidas judiciais contra opositores; até o momento, não há confirmação de ordem para retenção do documento.

28/10/2026 - 12h07
Nikolas, reeleito com 3,1 milhões de votos, é alvo de pedido de apreensão de passaporte e denuncia perseguição política
Crédito da foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputa

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), reeleito em outubro com mais de 3,1 milhões de votos, tornou-se o centro de uma nova controvérsia política após o deputado federal eleito Pedro Rousseff (PT-MG) anunciar um pedido de apreensão de seu passaporte à Procuradoria-Geral da República (PGR).

A solicitação, divulgada na terça-feira (27), também prevê que seja analisada a possibilidade de impedir Nikolas de deixar o território brasileiro.

Pedro Rousseff, que atualmente exerce o mandato de vereador em Belo Horizonte e é parente da ex-presidente Dilma Rousseff, argumenta que o parlamentar do PL poderia tentar deixar o país para evitar responder a procedimentos judiciais.

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A iniciativa provocou uma reação imediata de Nikolas, que questionou os fundamentos da medida e acusou adversários de promoverem perseguição política.

Até a manhã desta quarta-feira (28), não havia confirmação de que a PGR tenha acolhido a solicitação ou de que a Justiça tenha determinado a apreensão do passaporte.

Pedido foi apresentado após saída de Flávio Bolsonaro do Brasil

A solicitação de Pedro Rousseff ocorreu em meio à repercussão da viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos, após sua derrota nas eleições presidenciais de 2026.

O petista afirma temer que Nikolas adote comportamento semelhante e deixe o país para evitar procedimentos criminais.

Na justificativa apresentada à PGR, Rousseff mencionou uma investigação relacionada a uma suposta injúria contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrida em julho de 2024.

Entretanto, as informações divulgadas até o momento não apresentam elementos concretos que comprovem a existência de um plano de fuga por parte de Nikolas Ferreira.

A situação de Flávio Bolsonaro, citada como argumento pelo autor do pedido, não constitui, por si só, prova de que outro parlamentar pretenda deixar o Brasil para evitar a Justiça.

Nikolas acusa adversários de perseguição política

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Nikolas Ferreira reagiu com indignação à iniciativa de Pedro Rousseff.

O parlamentar questionou a existência de fundamentos para a apreensão de seu passaporte e afirmou que o pedido estaria relacionado à saída de Flávio Bolsonaro do país.

Nikolas também acusou integrantes da esquerda de tentarem atingir seus adversários políticos e afirmou que Pedro Rousseff estaria buscando exposição na imprensa.

A reação do deputado acrescentou um novo capítulo ao debate sobre a atuação de setores políticos contra integrantes da oposição ao governo Lula.

Embora Nikolas interprete a solicitação como uma tentativa de perseguição, não há comprovação de que a medida tenha sido determinada por motivação política ou de que exista uma ação coordenada do governo federal para restringir seus deslocamentos.

O pedido conhecido foi uma iniciativa de Pedro Rousseff, integrante do PT, e não uma determinação do Executivo.

Deputado acaba de conquistar votação expressiva

A controvérsia ocorre poucas semanas depois de Nikolas Ferreira conquistar 3.119.318 votos nas eleições de 2026.

Segundo a Câmara dos Deputados, ele foi o deputado federal mais votado do Brasil pela segunda eleição consecutiva.

O resultado demonstra sua expressiva representatividade eleitoral, especialmente entre os setores conservadores e eleitores identificados com a direita.

A votação, entretanto, não impede a aplicação de medidas judiciais legalmente fundamentadas, assim como a condição de opositor político não pode, isoladamente, justificar restrições a direitos individuais.

Afinal, é possível apreender o passaporte de um deputado?

A legislação brasileira permite que a Justiça determine medidas cautelares, incluindo a proibição de deixar o país e a entrega do passaporte.

O artigo 320 do Código de Processo Penal disciplina a entrega do documento quando existe uma decisão judicial de proibição de saída do território nacional.

A adoção dessas restrições exige análise das circunstâncias concretas de cada caso, respeitando os requisitos legais.

A simples apresentação de uma representação à PGR não determina automaticamente a apreensão de documentos, assim como a existência de investigações não representa comprovação de culpa.

O que acontece agora?

O pedido anunciado por Pedro Rousseff depende de análise das autoridades competentes.

Até o momento, não há confirmação pública de uma decisão judicial que impeça Nikolas Ferreira de deixar o Brasil.

O caso deve continuar repercutindo no ambiente político, especialmente diante das divergências entre governo e oposição após as eleições presidenciais.

A discussão envolve duas questões importantes para o Estado Democrático de Direito: a necessidade de garantir a responsabilização por eventuais crimes e o dever de impedir que restrições individuais sejam impostas sem fundamentação jurídica adequada.

O Portal Folha da Cidade continuará acompanhando os desdobramentos do caso.